Para crianças que adoram um pequeno arrepio seguido de uma grande gargalhada, as histórias de terror para dormir do tipo amigável e engraçado são perfeitas. Estas não são histórias para causar medo, mas para conquistá-lo de forma divertida. Elas pegam em ideias assustadoras clássicas — fantasmas, monstros, sons arrepiantes — e as viram de cabeça para baixo com um toque bobo e um final muito aconchegante. Aqui estão três histórias originais para dormir, projetadas para serem assustadoras o suficiente para serem divertidas e engraçadas o suficiente para levar diretamente a sonhos pacíficos e felizes.
História um: O Fantasma que era Ruim em Fazer Buuu
Na velha casa rangente na Willow Lane, vivia um fantasma chamado Barnaby. Barnaby tinha um problema. Ele era terrível no seu trabalho. Ele deveria ser assustador. Ele deveria flutuar pelas paredes e gemer: “BUUUUU!” em um longo e arrepiante lamento.
Mas o gemido de Barnaby soava menos como um lamento arrepiante e mais como um balão triste e murcho. “Buuuu?” ele tentava, com a voz rachando. Saía como uma pergunta confusa. “Bu?”
Os outros fantasmas no sótão colocavam a mão na testa (ou na folha da face, na verdade). “Você é um fantasma, Barnaby! Não uma ovelha perdida!”
Uma noite, uma nova família se mudou. Um menininho chamado Sam recebeu o quarto “assustador” nos fundos. Esta era a grande chance de Barnaby! Ele esperou até a meia-noite. Ele praticou no espelho (que, claro, ele não aparecia). Ele respirou fundo, etéreo, flutuou pela porta de Sam e pairou na beira da cama.
“CONTEMPLEM!” Barnaby sussurrou, tentando soar dramático. “EU SOU O ESPÍRITO DO… hum… SÓTÃO!” Ele percebeu que nunca tinha escolhido um título de assombração adequado.
Sam sentou-se na cama. Ele não parecia assustado. Ele parecia curioso. Ele acendeu sua luz noturna. Barnaby, no brilho suave, parecia menos um espectro aterrorizante e mais um marshmallow instável e ligeiramente transparente.
“Olá”, disse Sam. “É você que faz os canos gorgolejarem?”
“É Gary, o Ghoul, nos canos”, explicou Barnaby, prestativo. “Eu sou responsável por… a estranheza geral. E eu deveria dizer ‘Bu’.” Ele fez o seu melhor. “Bu?”
Foi, novamente, patético. Sam piscou. Então ele sorriu. Então ele riu. “Esse é o ‘bu’ mais engraçado que eu já ouvi! Parece uma pomba com um resfriado!”
Barnaby ficou devastado. Ele tinha feito um menino vivo rir! Isso era o oposto de assombrar! Ele flutuou para sentar (ou a versão fantasma de sentar) no tapete, parecendo abatido. “Eu sou um fracasso”, ele gemeu. “Eu não consigo nem fazer um simples ‘bu’ direito.”
Sam se sentiu mal. “Eu gosto”, ele disse. “É um ‘bu’ amigável. Talvez você não seja um fantasma assustador. Talvez você seja um… um Fantasma Comediante! Você conta piadas assustadoras engraçadas!”
A névoa de Barnaby se animou. “Fantasma Comediante? Isso existe?” “Existe agora!” disse Sam. “Como você chama um fantasma que é pego na chuva? Um espírito úmido!”
Barnaby olhou fixamente. Então ele soltou um som. Não era um gemido. Era uma gargalhada de verdade, honesta. Parecia sinos de vento tilintando. “Isso é hilário!” ele tocou. A partir daquela noite, Barnaby parou de tentar ser assustador. Ele se tornou o amigo noturno secreto e bobo de Sam. Ele contava trocadilhos horríveis de fantasmas. (“Por que os fantasmas não gostam de chuva? Ela umedece seus espíritos!”) Sam sussurrava e ria no travesseiro. Os outros fantasmas no sótão, ouvindo as risadinhas suaves, apenas balançavam a cabeça. Barnaby tinha encontrado sua vocação. Ele era o fantasma menos assustador e mais delicioso do negócio. E quando a risada de Sam se transformava em respirações suaves e uniformes, Barnaby flutuava contente no canto, vigiando, um guardião amigável e engraçado da noite. Seu “Bu?” finalmente encontrou seu propósito perfeito e feliz.
História dois: O Monstro Debaixo da Cama que Amava Biscoitos
Leo tinha certeza de que havia um monstro embaixo da cama. Ele ouvia os arranhões. Os farfalhares. Ele corria e pulava na cama a um metro de distância, só para ficar seguro. O que ele não sabia era que o nome do monstro era Grumble, e Grumble tinha um segredo: ele tinha um dente doce. Um grande.
Grumble não estava interessado em assustar Leo. Ele estava interessado nos lanches de Leo depois da escola, que muitas vezes incluíam biscoitos deliciosos e esfarelentos. Grumble esperava embaixo da cama, com a barriga roncando. Grrrrrr. (Leo achava que isso era um rosnado. Era fome.) Quando uma migalha de biscoito caía pelas fendas nas tábuas do chão, Grumble pulava nela com um pequeno “Aha!” (Que Leo ouvia como um sussurro assustador.)
Uma noite, a mãe de Leo fez uma travessa inteira de biscoitos com gotas de chocolate. O cheiro pairava sob a cama. Era tortura para Grumble. Ele não aguentava mais. Quando Leo se preparava para dormir, um único biscoito perfeito estava em sua mesa de cabeceira.
Grumble viu sua chance. Ele esperou até que a luz de Leo se apagasse. Então, um braço longo, peludo e roxo com seis dedos rastejou lentamente, lentamente, de baixo da cama. Ele se aproximou da mesa de cabeceira. Seus dedos se contorceram, alcançando o biscoito.
Naquele momento, Leo se virou. Ele viu o braço! Ele congelou, com o coração batendo forte. O braço também congelou. Ao luar da janela, Leo não viu uma garra assustadora. Ele viu um braço engraçado, roxo e peludo com seis dedos, pronto para roubar um biscoito. Parecia ridículo.
“Ei!” Leo sussurrou. “Esse é o meu biscoito!”
O braço se afastou sob a cama. Uma voz pequena e envergonhada disse: “Desculpe. Eles só cheiram muito bem.”
Houve um longo silêncio. Leo não estava mais assustado. Ele estava confuso. “Você… você quer o biscoito?”
Um único olho grande e amarelo espreitou de baixo da saia da cama. “Sim, por favor. As migalhas são boas, mas uma inteira… suspiro.”
Leo pensou por um segundo. Então ele partiu o biscoito ao meio. Ele colocou cuidadosamente metade no chão perto da cama. “Aqui. Uma oferta de paz.”
O braço roxo disparou, pegou a metade e desapareceu. Um som feliz e mastigando veio de baixo. Nom nom nom. “Oh, uau. Essa é a coisa boa. Obrigado!”
A partir daquela noite, Leo e Grumble fizeram um acordo. Leo às vezes deixava um bolacha Graham ou uma cenoura (Grumble também era preocupado com a saúde) em um pratinho perto da perna da cama. Os arranhões e farfalhares assustadores pararam. Agora, Leo apenas ouvia a mastigação educada e silenciosa de um monstro feliz tomando um lanche antes de dormir. Grumble não era mais um monstro embaixo da cama. Ele era o crítico de lanches da meia-noite. E Leo dormia profundamente, sabendo que a única coisa que espreitava abaixo era um entusiasta de biscoitos roxo e peludo com péssimos modos à mesa, mas um coração grato. A noite estava quieta, exceto pelo ocasional suspiro satisfeito de biscoito, que era um som muito mais agradável do que um rosnado de monstro.
História três: A Tábua do Chão Rangente que Queria Ser uma Estrela do Rock
Cada casa tem uma tábua do chão rangente. No corredor de Leo, era a terceira da porta do banheiro. Seu nome era Cedric. E Cedric estava cansado do seu trabalho. Ranger era chato. Creeeeeak. Era o mesmo som, toda vez. Ele tinha sonhos. Ele queria fazer música! Ele queria ser um percussionista!
O problema era que Cedric só conhecia uma nota. Um longo e triste, Creeeeeak. Mas ele praticava variações. Um rangido rápido! Um creeeeeeeeeeak lento. Ele tentou fazer um ritmo. Creak-creak… creeeeeak. Creak-creak… creeeeeak.
Para Leo, tentando se esgueirar para o banheiro para tomar um copo d’água à noite, isso era aterrorizante. A tábua do chão não estava apenas rangendo; estava falando! Estava dizendo coisas! Ele parava, com o coração batendo forte, convencido de que a casa estava tentando comunicar um aviso.
Uma noite, a irmã mais velha de Leo, Maya, estava praticando bateria no porão. O tum-tum-CRASH! da bumbo vibrou pela casa. Cedric, a tábua do chão, sentiu isso. Foi incrível! Ritmo! Energia! Era isso que ele queria!
Inspirado, da próxima vez que Leo andou na ponta dos pés pelo corredor, Cedric deu tudo de si. Ele não apenas rangia. Ele se apresentou. Creakity-CREAK-pop-creak! Foi uma tentativa frenética, caótica e terrível de um solo de bateria.
Leo congelou no meio do passo. Este não era um barulho assustador. Este era um barulho ruim. Parecia que a tábua do chão tinha soluços e estava tentando fazer beatbox. Ele começou a rir. Ele colocou o pé no chão novamente, de propósito. Creak!
Cedric, animado por ter um participante, respondeu. Pop-creak!
Leo fez um pequeno pisão. THUMP-creak-creeeak!
Logo, eles estavam tendo uma conversa. Leo pisava, e Cedric respondia com seu vocabulário limitado e estridente. Era um dueto. Um dueto muito estranho, muito estridente. O pai de Leo abriu a porta do quarto. “Que diabos é toda essa barulheira?”
“É a tábua do chão, pai!” disse Leo, sorrindo. “Não está quebrada. É musical!”
Daí em diante, o corredor não era um lugar assustador. Era o Creaky Concert Hall. Leo e sua irmã inventavam pequenas rotinas de sapateado só para ouvir o acompanhamento entusiasta e desafinado de Cedric. Cedric finalmente era uma estrela! Ele não era um presságio assustador; ele era a banda da casa. E à noite, quando tudo estava parado, se você ouvisse com muita atenção, poderia ouvir Cedric praticando sua única nota, bem baixinho, bem contente, sonhando com a próxima vez que seu humano favorito passasse para uma sessão de improvisação. O som assustador se tornou uma música boba, e o corredor escuro era apenas um palco esperando seu próximo artista, que agora estava dormindo profundamente, sonhando com sinfonias estridentes.

