Um pedido por histórias para dormir e monstros mágicos promete uma jornada a um mundo onde o impossível é amigável e o assustador é bobo. As melhores histórias desse tipo não são para assustar, mas para encantar. Elas nos apresentam criaturas mágicas com problemas muito humanos e muito engraçados, e sempre terminam com uma resolução pacífica e aconchegante. Aqui estão três histórias originais para dormir com monstros mágicos únicos. Cada uma foi projetada para despertar uma risada e, em seguida, acalmar suavemente, deixando seu pequeno ouvinte com uma sensação calma e feliz, perfeita para adormecer.
História um: O Monstro do Soluço que Adorava Festas de Chá
No fundo do armário sob as escadas, atrás dos casacos de inverno, vivia um Monstro do Soluço chamado Soluço. (Não era um nome muito original, mas era preciso). Soluço era uma criatura pequena, redonda e fofa, da cor de uma nuvem de tempestade. Seu trabalho, como ele via, era entregar soluços. Não os assustadores. Apenas o “hic!” normal e surpreso que acontece quando você bebe suco muito rápido.
Mas Soluço tinha um problema. Ele era terrivelmente educado. Ele acreditava que toda função corporal deveria ser anunciada com boas maneiras. Então, antes de dar soluços a alguém, ele primeiro aparecia, fazia uma reverência e dizia: “Perdoe a intromissão, mas um hic! está por vir.”
Isso, é claro, estragava a surpresa. Uma garotinha chamada Lila estava escovando os dentes certa noite, quando Soluço surgiu na beira da pia. “Boa noite, senhorita. Perdoe a intromissão, mas um hic! está por vir.”
Lila, com a escova de dentes na boca, ficou olhando. Então ela começou a rir, o que fez bolhas. Soluço, perturbado com a risada, tentou dar o soluço. Saiu um “hiiiiic?” minúsculo e estridente, que soava mais como um rato confuso.
“Você é o monstro do soluço?” Lila perguntou, enxaguando a boca. “Você é tão… educado.”
“É o certo”, disse Soluço, torcendo as patas fofas. “Mas ninguém nunca me deixa terminar! Eles riem ou gritam, e meu tempo fica todo errado!”
Lila se sentiu mal. “Você quer praticar?” ela sussurrou. “Eu não vou rir.”
Os olhos grandes e amarelos de Soluço se iluminaram. Ele respirou fundo. “HIC!” Foi um soluço perfeito e claro. Lila sentiu-o pular em seu próprio peito. “Bom!” ela disse.
Daí em diante, Lila e Soluço fizeram um acordo. Toda quinta-feira à noite, Soluço visitava para uma “sessão de prática de soluços”. Eles faziam uma festa de chá de mentira com o conjunto de brinquedos de Lila. Soluço praticava sua entrega. Um soluço profundo e ruidoso por beber chá de mentira muito quente. Um soluço rápido e duplo por comer bolo de mentira muito rápido. Lila aplaudia. Ele estava ficando tão bom!
Uma noite, Soluço chegou parecendo triste. “Fui promovido”, ele fungou. “Para Arrotos. É um departamento bagunçado. Eu não quero fazer arrotos. Eu gosto de soluços!”
Lila teve uma ideia. Na próxima vez que o chefe de Soluço, uma velha e rabugenta Fera do Arroto, veio para verificar ele, Lila e Soluço estavam prontos. Eles estavam fazendo uma refeição completa de três pratos. Soluço entregou uma série impecável de soluços — um soluço delicado após o gole, um soluço robusto após a mordida. Ele até fez uma reverência perfeita depois.
A Fera do Arroto ficou impressionada. “Hmm. Precisão. Boas maneiras. Poderíamos usar isso na Divisão de Soluços. Como você gostaria de ser Chefe de Soluços Educados? Treinando novos monstros?”
Soluço ficou radiante. Ele conseguiu ficar com os soluços! E ensinar boas maneiras! Agora, ele só visita Lila por diversão, para mostrar novas técnicas. E quando Lila vai para a cama, Soluço lhe dá um último e minúsculo “hic!” perfeito como boa noite. Então ele faz uma reverência, desaparece em uma nuvem de fumaça fofa, e Lila adormece com um sorriso, seu peito ainda ecoando com a sensação amigável e engraçada do monstro mais educado do mundo.
História dois: O Duende de Glitter na Gaveta de Meias
Toda casa tem um monstro de meia. Mas na casa de Maya, não era um monstro. Era um Duende de Glitter chamado Glint. Glint morava no fundo da gaveta de meias. Ele não comia meias. Ele… as enfeitava. Ele tinha um pequeno pote de cola mágica e um saco de glitter iridescente.
A sua missão era fazer o mundo brilhar. Mas ele não tinha senso de ocasião. As meias pretas e chatas do papai? Agora com um calcanhar brilhante! As meias de corrida da mamãe? Uma trilha de estrelas brilhantes no tornozelo! As meias listradas de Maya? Agora uma listra era permanentemente e deslumbrantemente prateada.
A família ficou perplexa. “Por que todas as nossas meias são… festivas?” perguntou o pai, segurando uma meia preta que piscava na luz.
Uma noite, Maya o pegou. Ela estava pegando um copo d'água e viu uma luz fraca e cintilante vindo de sua gaveta semiaberta. Ela espiou. Lá estava Glint, do tamanho de uma bola de tênis, cantando e aplicando cuidadosamente glitter em uma meia branca lisa com um pequeno pincel. Swish, swish, sprinkle.
“Ei!” Maya sussurrou.
Glint pulou, deixando cair seu pincel. “Eu posso explicar! Estava parecendo tão… simples!”
Maya não estava brava. Ela era uma artista. Ela entendeu. “Mas o papai não pode usar meias brilhantes no escritório”, disse ela. “E a mamãe diz que o glitter entra na esteira.”
Os ombros de Glint caíram. “Eu só quero ajudar as coisas a brilhar.”
Maya teve uma ideia. Ela tirou sua caixa de artesanato. Ela tinha grampos de cabelo lisos, um estojo de lápis chato, uma moldura de madeira sem graça. “E se”, disse ela, “você tivesse uma estação oficial de brilho? Coisas que querem ser brilhantes?”
Os olhos de Glint ficaram enormes. Este era o seu sonho! Ele foi trabalhar. Os grampos de cabelo se tornaram maravilhas celestiais. O estojo de lápis parecia uma galáxia. A moldura continha a foto da escola de Maya e agora parecia adequada para uma rainha.
Daquela noite, os desaparecimentos de meias pararam. Mas o quarto de Maya começou a brilhar. Os alfinetes de seu quadro de avisos brilhavam. O interruptor de sua lâmpada tinha uma pequena margarida brilhante. Glint estava em seu elemento, e ele era um artista.
Agora, todas as noites, Maya deixa um pequeno item simples em sua mesa — uma pedra, um elástico de cabelo, uma capa de caderno. Pela manhã, ele foi elegantemente encantado. E às vezes, quando ela está quase dormindo, ela vê um pequeno brilho cintilante do canto da sala e ouve o suave e feliz swish-swish-sprinkle de uma criatura mágica fazendo o que ela mais ama. O som é tão suave quanto uma canção de ninar, um lembrete gentil de que a magia é silenciosa, criativa e muito, muito brilhante. E quando ela adormece, a última coisa que ela vê é o brilho suave de sua moldura brilhante, uma luz noturna feita por amizade e um pouco de bagunça mágica.
História três: O Mestre de Sombras Esquecido
A sombra de Sam nem sempre fazia o que ele fazia. Às vezes, quando Sam estava sentado muito quieto, lendo, sua sombra na parede ficava entediada e começava a se mexer. Ela se transformava em um coelho, ou um dragão, ou uma girafa muito instável. Sam adorava. Sua sombra era sua amiga secreta, uma silhueta mágica chamada Shade.
Mas Shade era terrivelmente esquecido. Ele começava a fazer um pássaro fantástico, então esquecia como fazer as asas, e ele derretia em uma poça. Ele formava um dinossauro, então esquecia a cauda, deixando uma criatura que parecia uma batata preocupada com dentes.
“Eu sou um fracasso de um ser mágico”, Shade sussurrava, deslizando de volta para a forma adequada de Sam com um suspiro desapontado.
Uma noite, Sam teve que fazer um breve discurso na aula no dia seguinte. Ele estava praticando em seu quarto, mas continuava esquecendo suas falas. Ele estava ficando frustrado.
Shade, na parede, observou. Ele sabia sobre esquecer. Ele se sentiu mal por Sam. Ele teve uma ideia. Quando Sam dizia uma frase, Shade rapidamente se moldava em uma imagem para representá-la. “O cavaleiro corajoso…” e Shade se tornou um cavaleiro (ele esqueceu a espada, mas o capacete estava claro). “…entrou na floresta escura…” Shade se tornou uma floresta (parecia um pouco com brócolis, mas Sam entendeu a ideia).
Era um jogo! Sam se lembrava das falas porque se lembrava das fotos engraçadas que Shade fazia! Eles praticaram até que Sam soubesse o discurso perfeitamente. No dia seguinte, Sam foi ótimo.
Naquela noite, Sam teve uma ideia para Shade. “Você não precisa se lembrar de formas inteiras”, disse Sam. “Apenas me ajude a lembrar das coisas. Seja minha… sombra lembrante.”
Então agora, Shade tem um novo trabalho. Quando Sam não consegue se lembrar onde deixou seu livro da biblioteca, Shade esticará um braço longo e fino para apontar sob a cama. Quando Sam deve levar sua autorização para a escola, Shade se transformará em uma prancheta instável, mas reconhecível, na luz da manhã.
Ele não é um mestre de marionetes perfeito. Suas formas ainda são instáveis. Mas para Sam, elas são perfeitas. Elas são um código secreto. E na hora de dormir, quando a luz noturna está acesa, Shade apresenta um show lento e sonolento. Uma lua derretida. Um gato alongando-se. Uma flor que floresce lentamente e depois murcha no nada. É a maneira de Shade dizer boa noite, de guardar as aventuras do dia.
A medida que a respiração de Sam se aprofunda, Shade interrompe seu show. Ele gentilmente volta a ser apenas a sombra de Sam, um cobertor quieto e escuro na parede. O monstro mágico não é esquecido. Ele está descansando, pronto para outro dia de lembranças úteis, instáveis e maravilhosas. E no quarto quieto e escuro, tanto o menino quanto a sombra estão parados, um respirando profundamente em sua cama, o outro um guardião pacífico e silencioso na parede, sua amizade um segredo que faz a noite parecer segura, mágica e um pouco engraçada.

