Poema Original:
Vocês, meus amigos, e vocês estranhos, todos vocês,
Fiquem comigo um pouco junto às paredes
Ou onde as paredes uma vez estiveram.
A ponte estava aqui, a cidade mais adiante:
Agora não há nem ponte nem cidade—
Uma porta onde o telhado caiu
Se abre para uma escada desgastada pelos pés
Que sobe por três degraus para o ar vazio.
(O que foi que pisou lá?)
Nada nesta cidade que tinha mil torres
Vive agora, exceto esses rebanhos de ovelhas
Pastando as gramíneas amarelas onde os tijolos jazem mortos embaixo:
Cães os conduzem com seus dentes brutais.
Só as ovelhas podem viver onde as paredes vão abaixo?
O dia do homem acabou e o das ovelhas começou?
E devemos nos sentar aqui como os enlutados em um monturo
Gritando com língua melodiosa—
Desfigurando nossos rostos com as unhas de nosso desespero?
(O que é essa poeira que peneiramos em nossos cabelos?)
Porque um mundo é tirado de nós como os camelos do homem de Uz
Devemos nos sentar chorando pelo mundo que foi
E amaldiçoar Deus e assim perecer?
Serão os monumentos grama e as ovelhas os herdeiros deles?
Os cães reinarão nas ruínas dos arcos?
Considere, Oh considere o que somos!
Considere o que é ser um homem—
Aquele que faz sua jornada à luz de uma vela;
Que descobre em sua boca, entre seus dentes, uma palavra;
Cujo coração pode suportar o silêncio das estrelas— esse fardo;
Que encontra seu significado na cegueira de uma pedra—
O ombro de uma garota, perfeitamente harmonioso!
Até mesmo a conversa sobre isso nos tomaria dias juntos.
Maravilhas que os homens fizeram, Oh maravilhas!—e nosso fôlego
Breve como é: nossa morte esperando—
Maravilhas sobre maravilhas! Obras de estado—
A imaginação da forma da ordem!
Obras de beleza— a porta de cedro
Perfeitamente ajustada ao batente de basalto!
Obras de graça—
A cerimônia na entrada das casas,
Na entrada das vidas: a noiva entre as tochas na festa estridente!
Obras de alma—
Peregrinações pelo deserto até o rochedo sagrado:
Através da meia-noite até a batida de uma!
Obras de graça! Obras de maravilha!
Tudo isso fizemos e mais—
E vimos—o que não vimos?—
Um homem sob a luz do sol em seu significado:
Um homem, um homem, um homem sozinho.
Nos abismos da terra aquele errante desceu.
A sombra de sua mente está nas montanhas.
A palavra que ele disse é guardada no lugar além
Como a semente é guardada e a terra a pondera.
Pedras—até mesmo as pedras o lembram:
Até mesmo as folhas—sua imagem está nelas.
E agora porque a cidade é uma ruína no desperdício do ar
Sentamos aqui e desesperamos!
Porque as ovelhas pastam no bosque moribundo
Nosso dia acabou!
Devemos terminar
Porque a conversa ao redor da mesa ao crepúsculo terminou,
Porque os dedos das deusas são encontrados
Como seixos de mármore no solo pedregoso
E nada responde exceto o chacal no deserto,—
Porque a nuvem propõe, o vento diz!
Porque as ovelhas são pastoreadas onde as estátuas encaradas jazem
Sentamos na areia em silêncio
Observando o sol ir e as sombras mudarem!
Ouçam, meus amigos, e vocês, todos vocês, estranhos,
Ouçam, a obra do homem, a obra do esplendor
Nunca foi encerrada ou terminará.
Até mesmo onde as ovelhas profanam a escada arruinada
E os cães são mestres—até mesmo lá
O dedo de um homem na poeira traçará o círculo.
Até mesmo entre as ruínas começará a obra,
Grande na manhã nivelada da luz
E bela com cisternas onde a água se branquear,
Ondulando sobre o lábio de pedra, e derrama
Por comportas de cedro em poços, e os jovens construtores
Esticam suas linhas de prumo, e o curso bem traçado
Branqueia sua argamassa ao sol, e toda a manhã
Cheira a fumaça de madeira, alcatrão de corda, suor de cavalo, pinho de breu,
Homens e as folhas de hortelã pisoteadas na vala.
Um homem ao sol sozinho
Caminha entre o silêncio e a pedra:
A cidade se ergue de sua carne, de seu osso.
Análise e Interpretação do Poema
Este profundo poema reflete sobre a ascensão, queda e o espírito duradouro da humanidade através da metáfora de uma cidade em ruínas. O falante convida tanto amigos quanto estranhos a se reunirem junto aos restos de paredes outrora grandiosas e de uma cidade desaparecida. A imagem de uma ponte destruída e de uma escada vazia evoca um senso de perda e desolação, simbolizando o colapso da civilização ou da realização humana.
O poema contrasta a desolação presente, onde apenas as ovelhas pastam e os cães dominam, com o glorioso passado da criatividade e cultura humana. O poeta lamenta a perda, mas também questiona se o desespero é a única resposta. O poema desafia os leitores a refletirem sobre o significado de ser humano—nossa capacidade de criar, de encontrar significado no silêncio e na dificuldade, e de deixar um legado duradouro.
O poeta celebra as conquistas humanas—obras de estado, beleza, graça e alma—como portas perfeitamente elaboradas, cerimônias, peregrinações e a descoberta da linguagem e do significado. Apesar das ruínas, o poema termina com uma visão esperançosa: mesmo em meio à destruição, a obra do homem continua. Um único indivíduo pode recomeçar, reconstruindo a cidade com cuidado e propósito, simbolizando resiliência e renovação.
Contexto e Introdução ao Autor
Este poema é uma reflexão típica da poesia modernista ou pós-guerra, onde temas de destruição e renascimento são comuns. Embora o autor não seja explicitamente nomeado aqui, o estilo sugere um profundo envolvimento com a condição humana, história e legado cultural. Poetas assim frequentemente escreviam após tempos de grande agitação—guerras, colapsos sociais—usando ruínas como metáforas tanto para a perda quanto para a esperança.
As referências do poema a imagens antigas, como o homem de Uz (uma figura bíblica conhecida por seu sofrimento), e o rochedo sagrado, sugerem uma fusão de temas históricos, religiosos e existenciais. A voz do poeta é tanto lamentosa quanto inspiradora, instando os leitores a considerar seu papel na história humana em andamento.
Reflexões e Insights
Ler este poema nos convida a pensar sobre como as civilizações surgem e caem, e como a criatividade e o espírito humano persistem além da destruição física. Lembra-nos que o desespero não é a única opção diante da perda; em vez disso, podemos encontrar força em lembrar nossas conquistas e continuar a construir.
O poema também enfatiza o poder do esforço individual—o trabalho de uma pessoa pode provocar renovação mesmo nas circunstâncias mais sombrias. Ele encoraja a resiliência, a esperança e a crença de que a cultura e o significado humanos nunca estão verdadeiramente perdidos.
Valor Educacional para Crianças e Estudantes
A partir deste poema, crianças e estudantes podem aprender:
- Consciência histórica e cultural: Compreender como as sociedades se desenvolvem, prosperam e às vezes declinam.
- Dispositivos literários: Uso de metáfora, imagem e simbolismo para transmitir ideias complexas.
- Reflexão filosófica: Questões sobre a existência humana, significado e legado.
- Resiliência e esperança: A importância da perseverança mesmo em tempos difíceis.
- Construção de vocabulário: Palavras como ruína, desolação, peregrinação, cisternas, argamassa, e linhas de prumo enriquecem as habilidades linguísticas.
Aplicações Práticas e Lições de Vida
- Na aprendizagem: Encoraja o pensamento crítico sobre história e cultura, e inspira projetos de escrita criativa ou arte sobre reconstrução e esperança.
- Na vida: Ensina que reveses e falhas são parte da vida, mas o esforço individual e a esperança podem levar à renovação.
- Consciência social: Promove empatia por aqueles que experimentam perda e mudança, e a importância da reconstrução comunitária.
Exercícios de Compreensão de Leitura
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Qual é o cenário principal do poema?
A) Uma cidade próspera
B) Uma cidade em ruínas
C) Uma floresta
D) Uma montanha -
Quais animais são mencionados como vivendo nas ruínas?
A) Gatos e pássaros
B) Ovelhas e cães
C) Cavalos e camelos
D) Leões e chacais -
O que o poema sugere sobre o futuro do trabalho humano?
A) Ele terminou para sempre
B) Continuará apesar da destruição
C) É sem sentido
D) Pertence apenas ao passado -
O que o dedo traçando um círculo na poeira simboliza?
A) Desespero
B) O fim da civilização
C) O começo da renovação
D) Esquecimento -
Qual das seguintes opções descreve melhor o tom do poema?
A) Alegre e despreocupado
B) Irado e amargo
C) Reflexivo e esperançoso
D) Confuso e incerto
Gabarito
- B) Uma cidade em ruínas
- B) Ovelhas e cães
- B) Continuará apesar da destruição
- C) O começo da renovação
- C) Reflexivo e esperançoso
















